25 de abril

camargo

  25 de abril de 1974. O dia da Liberdade. O dia em que um país se viu livre de uma ditadura que o oprimiu durante 41 anos. Tudo o que sei sobre este dia, li em livros muitos anos depois. Mas mesmo tantos anos depois, o espírito da revolução está mais do que presente. O desejo pela liberdade é o que nos guia e o que nos faz lutar por uma vida melhor. Mas ser livre não é controlarmos a nossa vida. Isso é impossível. Nós não somos livres de escolhermos o que nos acontece. Ninguém escolhe nascer, ser atropelado, ter cancro, ser bonito ou feio. O que nós escolhemos é como responder ao que nos acontece. É aí que começa a nossa liberdade. E é aí que a liberdade e o amor dão as mãos. Porque se o amor é o que nos faz acreditar na vida mesmo depois de tantos trambolhões, a liberdade é o que nos faz lutar por ela.

  25 de abril de 2010. O dia em que me deixaste. Para mim ao saíres por aquela porta, estarias a sair também da minha vida. Fiquei sem chão e o orgulho cego de não querer perceber a verdadeira razão de me teres deixado, fez-me acreditar que eras a pior pessoa do mundo. O pior do ser humano é a forma como ele se desfaz das pessoas, e eu só pensava no que tinha feito para o merecer. Lembrei-me do dia em que nos conhecemos. Eu soube que eras tu quando te vi e a minha alma sussurrou ao ouvido do meu coração e disse: “É ela.” Coisas assim só acontecem uma vez na vida, e há vidas em que não chega a acontecer. Naquele instante eu percebi que eras a metade que me faltava para ser homem. Tu soubeste também. Mas o pior do ser humano é que as pessoas deixam de fazer o mesmo esforço para manter uma relação, como fizeram para conquistá-la. E paguei caro. “O que nós escolhemos é como responder ao que nos acontece.” E tu deixaste-me.

  25 de abril de 2011. Faz hoje um ano que partiste. 365 dias depois, ainda não consegui perceber se as saudades diminuíram ou se fui eu que me habituei a elas. Consegui perceber que ter-me deixado foi talvez a maior e melhor decisão que alguma vez tomaste na tua vida. E por mais difícil que seja admitir, na minha também. Quando aprendi a amar-te, tu já não estavas aqui e isso fez-me ver que eu era feliz apenas por te ter do meu lado. Vivia à procura de algo mais, sem saber que tinha ali tudo o que eu precisava. Assim que a ficha caiu, entendi o que queria realmente dizer liberdade. Mas as memórias ficaram. Há memórias que nunca te deixam, ficam entranhadas nos ossos. Tu não sabes se as carregas ou se elas te carregam a ti. E eu prefiro pensar que perder não tem de ser sempre negativo. Tornei-me melhor porque te perdi. Foi graças à tua decisão que hoje estás feliz. E se por acaso o destino se enganar e nos juntar outra vez, o meu papel será fazer valer a pena. Mas desengane-se quem acha que eu quero encontrar alguém como tu. E a única razão para eu não querer encontrar alguém como tu é que não existe alguém como tu. Não tenhas dúvidas, és o melhor ser humano que eu alguma vez conheci.

E se hoje sou livre, é graças a ti.

 

Rosdet Nascimento

4 pensamentos sobre “25 de abril

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